Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

"Defeito.Tu tem?"

Volto na van da uni cheia de gente que nem sei quem são. Nem sei mesmo. Sei onde moram e tal, sei até o que fazem na facul, mas não sei como pensam, como são em sociedade e como são consigo. Tento puxar papo com alguns meninos. Meninos não competem. Meninos são legais.
Porém, há uma menina a qual eu não gosto. Eu. Como eu posso dizer que não gosto de alguém? Penso e penso que eu nã tenho direito algum de não gostar de alguém que me é indiferente na vida. E se de fato eu não gosto, então deveria eu me sentir indiferente, do tipo nem pensar, nem ver, nem perceber. E se me incomoda, algum problema tenho eu, não? Mas não, uma das meninas é amargamente destetável pra mim. Depois de dias me perguntando o porquê de me sentir assim com aquela tal, pensando que eu não poderia me sentir assim de graça. Analisei todas as coisas que me incomodavam. Comecei afirmando que era a voz, que é fina e estridente. Depois coloquei a culpa no cabelo, comprido, sem corte nenhum, absolutamente sem graça. Depois que ouvi ela dizendo "meu marido", coloquei a culpa no fato de que ela era nova e era casada então era burra. Fora que sim, ela é estúpida com as pessoas e está sempre de mal humor, mas nunca comigo.
Mas não, nada disso... Pensando e pensando o porquê de eu me incomodar, cheguei a conclusão de que detestava ela exclusivamente por tudo o que eu disse ali em cima, não fazer diferença nenhuma entre as pessoas que gostam dela. Enquanto eu cuido do meu cabelo, cuido da voz, sou querida mesmo quando estou ´puta, e faço um esforço danado pra ser legal, ela é daquele jeito ali, desleixada e todo mundo gosta dela, e isso irritava a mim, pra mim. Nada a ver com a coitada.
Defeito nada mais é do que uma qualidade que o outro mostra, (sem se preocupar), enquanto tu te esforças pra esconder, achando que pode modificar a tua impressão com a sociedade, a pessoa ali vive normalmente sendo quem é e nem precisou ter tantas preocupações como você. Ela não tem defeitos, eu que tenho o defeito de achar que devemos nos modificar pra agradar os demais.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

"Ideais e Amor."


Eu meio que não acredito em amor. Quando se trata de namoro.Muito menos amor a primeira vista. Acredito que amor é uma coisa a ser construída. Uma coisa que com o tempo se cria, e vem depois de muita troca, compreensão, ajuda, acolhimento, divertimento e o principal, convivência sem grandes conflitos. Ora pois que vejo meninas apaixonadas, isso sim, nisso eu acredito. Acredito em paixão a primeira vista, ora que pra mim paixão nada mais significa que tesão colocado de uma forma mais delicada.
Volta e meia me aparece uma colega de 17 anos, que diz amar seu namorado o qual está com ela a três meses, e eu pergunto o porque de ela achar que ama ele. Eu invento de perguntar coisas ás vezes que eu não sei o que eu quero com isso. Sinceramente. Daí ela me responde,
:" -ai, quando eu vi ele na primeira vez, tu tinha que ver, ele tocava violão, uma música linda, sabia tocar muito bem, ele lê bons livros, ele é inteligente, desenvolto, enfim, ai eu amo ele.".
Aham cláudia, senta lá.O que ela ama? Quem ela "acha" que ele é. Sim, só pode. As pessoas tem mania de idealizar o objeto de amor para verificar que são amáveis aos olhos de seus próprios ideais.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

"Um bom livro, um bom ser humano pra ser."

Eu faço psicologia. Meu namorado faz psicologia também. Ele no sétimo semestre, eu no primeiro. Eu sou fissurada pelo curso e, aproveito tudo o que ele tem a me dizer e tudo o que ele aprende, escuto com fervor. Pois um dia me aparece ele com um capítulo de livro, xerocado, na mão, me estende e diz "aqui, o autor descreve um terapeuta ideal, e na verdade, ti dou isso, porque ele praticamente ti descreve". Imaginem a minha alegria, eu, recém entrando nos estudos de psicologia, saber por meio de Contardo Caligares juntamente com meu namorado, que, eu, Carolinda comum Menezes, sirvo pra tal feito tão bem o quanto julgo que tem de ser sacerdócio pra exercer tal função nas vidas alheias.
Pois vejamos o que o tal Caligares, em seu livro "Cartas a um jovem terapeuta" diz; ele começa contando uma história sobre seu pai, médico, que recebia muitas flores, presentes, de seus pacientes, ora pois que , o psicólogo, não ganha presentes, e diz que o mesmo, não deve exercer a profissão querendo gratidão social, gratidão do paciente, pois quando tudo dá certo, é com muita alegria que o paciente vai embora. E o que se deve querer de fato, é fazer o outro feliz, sem querer nada em troca. Fala ele que o futuro terapeuta, deve ter um gosto pela palavra, e um carinho espontâneo pelas pessoas, por diferentes que sejam. Bater um papo com moradores de rua, deixa-los falar, falar, e ouvir, mesmo que o texto vire desconexo, que ele não desnprenda a sua atenção, e que muito menos você se enoje de ele passar a mão encardida em você. Fala sobre obtermos uma curiosidade extrema pela variedade de experiência humana, sem o minimo de preconceitos. Você pode ter e até deve, uma religião, algo o qual acredite, mas não pode fazer dele regra, a todos. Outro fator importante, é preciso sim, ter sofrimento psiquico, através do mesmo, sabemos como lidamos, como reagimos em certas situações, aprendemos com a dor. É preciso não ser nada certinho, experimentar de tudo na vida, de emoções, viagens, tudo, porque ter uma quilometragem de experiencia, ajuda a entender o proximo.
Enfim gente, lendo isso fiquei pasma, não por me julgarem ter estes atributos tão lindos como qualidades, mas por achar que estes atributos, deveriam ter todos, todos os seres humanos. O fato de ser humano, ser humanitário, se preocupar com todos, sem querer nada em troca, sem ser o bem. Claro que um psicologo deve ter tudo isso mesmo, ajuda muito, mas se pensarmos bem, e se todos tivessem estes atributos?E daí me lembro de uma frase que li num livro que dei a um ser humano que amo, que dizia o seguinte "-minha religião é muito simples, minha religião é a bondade" esta era a fé do coração., 14* Dalai Lama.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

"Sofrimento psíquico"


É mais raro quem apresenta catexias como sintomas físicos procurar um psicólogo do que aquele que está passando por um sofrimento psíquico, visando também que o próprio sintoma físico, chama mais atenção quando o mesmo causa sofrimento ao paciente.
Em toda a nossa vida, criamos expectativas diárias, de vida, de relacionamento e etc, quando não atingidas as expectativas, a tendência é sentir-se decepcionado. Há quem projete esta decepção no externo, colocando a culpa do "não acontecimento" esperado, em alguém, ou em algum fato definido, e há aqueles que se "culpam" pela decepção.Há aqueles que projetam ao externo, negando a dor da decepção, (levando em conta que é mais fácil apontar problemas e defeitos no extreno, do que observar que nós mesmos nos causamos o que sentimos, porque desta maneira, observando em nós o problema, cavamos muitos outros os quais somente nós mesmos podemos resolver). E há, aqueles que projetam no interno e se culpam, e que se acham insconscientemente incapazes de relutar, resolver o que sente com a decepção, e fica triste, somente isso. Não muda, não pensa no erro e nem nada.
De uma maneira ou de outra, o sofrimento psiquico não nos é estranho, sendo que quando nascemos sofremos, na castração sofremos, e apartir disto, aprendemos ou não a lidar com este incômodo sentimento. O melhor remédio, ou a saída mais fácil, é aceitar o sofrimento, perceber da onde vem, como e porquê, com qual força, e o que se pode fazer para evitá-lo ou, superá-lo sem cicatrizes . O psicólogo ajuda. Ele não dá as respostas , mas dá o questionamento necessário para que o paciente encontre o caminho de onde vem seu sofrimento e o porque dele se manifestar , e ajuda o mesmo a entender-se para poder resolver o que sente.

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

"Moradores de rua, e daí?"

(esse texto nem precisa foto, e eu quero ver quem vai ler um texto grande destes.)


Ela fazia trabalhos sociais.Tinha um projeto com moradores de rua. Estes mesmo, que você vê e vira cara. Estes que recolhem os lixos que nós achamos que são lixos e eles aproveitam. As vezes comem. Estes que quando você vê na praça, vai pelo outro lado. Estes que você finge que nem sabe que existe, afinal, você é cheio de problemas não?
Ela teve que fazer uma pesquisa com eles. Sim, falar com eles, abertamente, saber da vida deles, ficar perto deles, despertar o interesse deles. E assim foi. Ia para a rua, andava por aí, já sabia mais ou menos onde tinha visto alguns, ela olhava, e reparava, para ela, eles sempre existiram, bem ali. Ela achou que seria dificil, ela era uma garotinha, meio patricinha, meio não. Como eles iam aceitar que ela soubesse da vida deles sem que eles se sentissem julgados? Ela nem sabe como fez isso mas ela fez. Foi pra rua, chegava rindo e dando oi, como se fossem iguais. Eles são iguais.Eles falavam com ela normalmente, eles eram espertos, eram garotos de rua, ora bolas, sabiam onde iam, o que queriam, sabiam de suas escolhas, porque as escolhiam mesmo. Eram novos ainda, usavam e usam drogas, porque o que mais eles poderiam fazer de prazer? Comer não pode ser, trabalhar não tem, ego não há mais, expectativas não há mais, alguém do lado nunca teve, solidão pra eles não traz paz. Não. Mas na rua encontrou poucos até, e , sob medidas drásticas, teve de ir no albergue da cidade. Lá sim, deve ter mais, e lá sim, eles estão. E ela foi, e eles estavam lá. Mas lá, eram senhores de idade, que sabiam que na rua não dava...E a única alternativa (porque quando não se é valorizado pelos filhos, perde-se o empego por causa da idade, e não tem escolaridade, nem ninguém), era ir pra lá. Lá estavam eles, sentados todos em roda de uma mesa daquelas de churrasqueira que a gente tem na casa da praia, eles jantam ali, o que for que tiver. Eles não tem opção. Eles não tem escolha. Alguns deles, com 60 e poucos anos, esperam a vida passar dia-a-dia. Quando eles vão dormir, numa cama que não é deles, num lugar que não foi eles que construiram, com cobertores doados pela "boa ação" alheia, ninguém vem em mente, nenhum pensamento sentimental envolve qualquer um deles...Os filhos cresceram, sumiram..Quem pensa neles quando eles estão indo dormir? Quem sabe que eles existem e o que ele podem fazer neste mundo que mude alguma coisa em alguma coisa? Quem sabe o que é solidão?
Não, você tem problemas demais, tem que pagar a conta de luz, de água, porque você tem uma casa. Tem que pagar a prestação do carro? Bah, que foda eim? E há quem diga que eles mesmo são os culpados...Sim, super mais fácil dizer isso e fechar os olhos. Mas vejamos por outro lado. Tem culpa o homem que teve de trabalhar aos dez anos de idade e largar da escola? Depois ter uma casa alugada e perder o emprego? Porque não arrumou o outro? Ah sim, emprego pra quem não tem escolaridade é super fácil, ainda mais um salário pra pagar aluguel e alimentação. Tem culpa uma criança que morava com a mãe, sem pai, ela pagava aluguel, e ela morreu. Sim, uma criança de doze anos tem estrutura para pensar o que fazer e solucionar o seu futuro. Tudo bem, não pode-se generalizar, mas não pode-se generalizar de ambas as partes.E agora, fazendo este trabalho, ela se pergunta, se tem algum problema na vida, se a vida dela é dificil. Não, não é comparada com a deles. Difícil, é viver sabendo que poucas são as pessoas que se dão conta e muitos os que fazem que não vêem, essa gente que é igual a ela, e , sinto muito, igual a você.

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

"Não tem?"


Muito bacana ver que no meu texto do "alguém me ajuda" tiveram mais comentários do que os quais eu falava sobre amor, hipocrisia, crises existênciais...Fiquei me perguntando o que chamou tanto a atenção das pessoas a virem aqui e ler o que se tratava. Claro. Se tratava de alguém em uma posição de vitimização. Precisava de alguém. Todo mundo quer ser o alguém de alguém. Todo mundo quer ajudar. As pessoas mais privilegiadas de auto-conhecimento, adoram ajudar.

Sim, eu mesma adoro ajudar. Quero terminar o curso de psicologia pra poder "ajudar" as pessoas mais frágeis psicologicamente. Mais frágeis psicologicamente que quem? Que quem? Neste caso, pessoas mais frágeis que EU! Daí pensei que, talvez essa síndrome de boa pessoa, de querer ajudar tanto, pode ser uma maneira de dizer sem querer dizer já dizendo "eu sou mais forte", ou "eu sei mais do que tu".

Queira ou não queira, cada vez que ajudamos alguém, estamos nesta coisa de sermos superiores. Aí, vem a idéia de que, todo mundo adora ajudar, todo mundo quer mostrar que já passou por aquela situação e entendeu bem ela, aprendeu com ela e tal e sabe lidar com "problemas". Claro, que, o que pesa mais, é que, nos sentimos bem ajudando, pela alegria do ajudado, e não por nós mesmos. Mas que tem um pira de orgulho, mesmo que seja recalque , tem. Não?

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

"É hoje."


Somos a geração dos jovens impacientes.
Não temos paciência pra televisão, ouvimos música.
Não temos paciência pra era Bossa Nova, ouvimos rock 'n Roll.
Não passamos tardes tomando chimarrão. Passamos tardes bebendo entre amigos, falando, falando, usando drogas que aceleram o coração.

Não flertamos até o beijo. Beijamos até a conquista.

Não conquistamos pra casar, conquistamos pra transar.
Não sabemos se vamos casar, nós jovens impacientes não fazemos planos, pra não os esperar.
Estudamos pra nos entender, nós queremos saber. De nós. Não do futuro. Não dos outros.
Somos a geração dos jovens impacientes porém, cientes de que a vida é hoje.
Dessa vida só se leva a vida que se levou.
Querer garantir um futuro, pra morrer com um velório onde não enterrarão tvs de plasma, não enterrarão o grande apartamento, o carro, nada. Só o corpo. Nem a alma.

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha fotografia
carolinda
CADA UM ENCARA, CONFORME A SUA CARA.
Ver o meu perfil completo